Eu não conhecia a favela do Moinho. Até o dia em que ela pegou fogo. No dia 23 de dezembro do ano passado, um incêndio fez a comunidade do Moinho ser conhecida em São Paulo. Sim, eu sabia que embaixo daquele viaduto ao final da avenida Rio Branco tinha uma favela, mas nunca soube seu nome. Era apenas mais uma favela entre tantas sem identidade espalhadas por São Paulo, infelizmente. O incêndio queimou cerca de 380 famílias sem casa e um morto. Mais a implosão polêmica de um prédio invadido, onde o fogo começou, fizeram desta comunidade manchete nacional.
Mas o Moinho começou a tomar cara para mim, de verdade, no dia em que meu amigo, fotógrafo Rogério Fernandes, postou fotos em seu facebook pedindo ajuda e doações para a comunidade. Rogério, cuja história com a fotografia é de admirar, vinha fotogrando o Moinho há tempos e agora está na batalha para ajudar a comunidade. Suas fotos me tocaram de forma especial e alguns dias antes do incêndio eu o encontrei no Fotoescambo e conversamos um bocado sobre os projetos dele em presídios e na Fundação Casa, ensinando fotografia. Minha admiração por ele cresceu.
Neste domingo houve uma mobilização na favela do Moinho, o Festival Moinho Vivo, com a apresentação de diversos rappers – famosos ou não – com o intuito de arrecadar doações e também mostrar como andam as coisas por lá. Nada boas. Famílias agrupadas num grande barracão embaixo do viaduto, sem qualquer infraestrutura…acho que já vi esta história antes.
Fui para lá com a câmera e muitas roupas, casacos, sapatos para doar. O clima geral era de festa. Além dos músicos, um grupo de garotos dançando break arrasou numa apresentação maravilhosa ! Mais grafiteiros por todo lado, câmeras fotográficas, gente de várias tribos. Aliás, gente linda e estilosa, daria para fazer um ensaio de moda ali, mostrando genuínas tendências fashion! Assim que cheguei pedi ajuda para levar as doações a um rapaz que acabou virando meu guia na comunidade, Jaime Oliveira. Muito gentil e com uma noção sensacional de fotografia ! Entre uma sugestão e outra de onde fotografar, ele me contou como foi o dia do incêndio e como ajudou a tirar quatro crianças de dentro do prédio. Ao me levar para fazer fotos da capela da comunidade houve um momento de tensão. Enquanto ele se distanciou de mim, um garoto de não mais que 17 anos, veio e me deu ordens de não fotografar naquele pedaço. Imediatamente abaixei a câmera e disse que tudo bem, sem problemas. Jaime não se conformou muito e quis enfrentar o garoto e eu pedi a ele que não fizesse isto. Eu estava ali para fotografar, não causar confusão. Se não me viam como amiga, eu me retiraria numa boa. Insatisfeito, ele ainda tentou outros recursos para que eu fosse até a capela. Expliquei a ele minha postura: se não me vêem como amiga, não vou forçar a minha presença. Talvez fosse diferente se estivesse ali a trabalho e precisasse fazer a foto, mas não naquelas circunstâncias..
A fotojornalista que mora em mim – e que precisa ser mais ativa – tem muitos conflitos em situações como esta, por diversas razões. Não gosto da idéia de fotografar como se fosse usurpar algo das pessoas, da comunidade. O mínimo que posso fazer é devolver a elas algumas fotos. Já combinei com o Rogério de voltar lá e entregar as fotos. Especialmente para o grupo de meninas que encontrei numa viela. Lindas e simpáticas, brincamos de nos fotografar e elas ficaram contentes por eu lhes emprestar a câmera e ensinar como se faz uma foto. Delícia de momento, delícia ouvir: “tia, obrigada, volta pra ver a gente!”. Vou voltar, claro !

Jaime Oliveira, meu “guia” dentro da comunidade

Vários carros com doações

Grupo de break Mistério 2D, de Guarulhos.

Garotada arrasou!

A bela Camila, dançarina de break

Aula de break

Muitas garotas se apresentaram cantando rap, muito bom!

Toni C, autor do livro o Hip Hop está Morto e o meu exemplar. Toda a renda do dia revertida pra comunidade.

Ariane, cheia de estilo

Vista parcial da área do evento que lotou no fim do dia.

Mario Brother e a mãe, Dona Conceição, em frente à casa em que moram. Mario ajudou a salvar muita gente no dia do incêndio.

O moinho que dá nome à comunidade.

Minhas novas amigas!

E eu com elas em foto feita pela Júlia :-)

Padre Carlos, muito sorridente!

O trabalho do Mundano, sempre presente.

E num canto a vida parece seguir normalmente…

Tribos e estilos

A linha do trem que divide o Moinho

O verão lentamente dá as caras no hemisfério sul ou mais especificamente no Sudeste. Muita chuva pra coroar a entrada do ano e, como dizem alguns, levar tudo embora. Eu, particularmente, preferia ter tido menos chuva no Rio de Janeiro, onde fiquei por 10 dias. Mas entre uma chuva aqui e ali, o sol se fez presente deixando tudo mais bonito e fazendo a alegria do povo, locais ou “estrangeiros” de todos os lugares como eu.

Bom para a praia, bom pra me sentir viva, bom para deixar o Rio de Janeiro lindo como ele só, bom para sentir na pele, bom pra fotografar !

Então vem mergulhar comigo, vem…

Mais verão, mais Rio e mais mergulhos nos próximos dias.

Um dia me tornarei uma blogueira/escritora organizada. Terei agenda para postar e serei fiel à ela. Farei um post por semana. Pelo menos! Um dia eu farei tudo isto. Mas por enquanto vou levando e postando como o tempo permite e a inspiração deixa.

Mas acabou a enrolação, vou falar da minha pequena expo. Mini expo. Cinco fotos. Livre. Para combinar com o lançamento da coleção de verão da Casa Pau Brasil.

Expor um trabalho não é nada fácil, por mais simples que ele seja. Mostrar o que você faz, aberta e sinceramente, não é uma experiência tão tranquila assim. Sempre bate a insegurança, o medo, aquele frio na barriga que diz que “será que alguém vai gostar ? será que alguém vai lá ver ? será que sou boa ? “. Pois é, mesmo sendo uma “mini mini”exposição – apenas cinco fotos -  pensei estas coisas todas. Apesar de ser uma apresentação muito informal a angústia esteve presente. Por estas e outras eu já deixei oportunidades passarem, mas aos poucos acho que estou conseguindo superar os medos e o o meu critério de avaliação para me permitir expor minhas fotos agora é responder à questão “o que vc quer mostrar é honesto e tem a ver com o que você sente ?”. Se a resposta é sim, não penso mais no assunto, o lance é mãos à obra.

Neste caso eu decidi expor esta série por achar que têm a ver com o tema da coleção de verão da Pau Brasil, por serem bem alegres, despojadas e feitas numa tarde em Ipanema, um dia lindo e delicioso de verão (01/01/2010), daqueles em que tudo de bom acontece, sabe ? E você está bem, curtindo o momento, brincando, livre, leve e solta e se permite ser criativa e quando vê o resultado disso você diz pra vc mesma: “uau !” . E eis que, afinal, ele está na parede !

E é também muito legal quando a gente ouve coisas como “gosto do seu trabalho e gosto de você, não dava para não vir” ou ainda ” tá bem bacana, combina com o espaço e tem potencial de venda” de pessoas que óbviamente não precisariam dizer nada disso para você.

Fiquei bem feliz em ver um monte de gente lá, me senti bem demais e muito, mas muito querida.  Esqueci todos os medos num instante ! Foi bacana, divertido, animado. Os amigos queridos e mais chegados. Os amigos que eram só da vida online apareceram. Muito prosseco e amendoim pra todo mundo Enfim, tudo do bom e do melhor.

Abaixo as fotos em exposição que segue até o dia 31 de janeiro de 2012. Vai lá !

Casa Pau Brasil : Rua Fidalga, 403 – Vila Madalena /SP

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Neste sábado, dia 19 de novembro, a Casa Pau Brasil, uma loja de moda, acessórios e itens de decoração localizada na Vila Madalena, realiza o coquetel de lançamento da sua coleção de verão. Neste evento eu apresentarei uma série fotos com o mesmo tema da coleção – Livre – e a artista plástica Luciana Godoy além de expor, realizará um live painting.

Expor esta séria na Pau Brasil é a celebração de uma amizade e parceria. Tenho total empatia pela equipe da loja, a começar pela proprietária, Marina Nascimento, que tem um bom gosto singular para moda. Adoro usar vestidos e já comprei vários na Pau Brasil, onde sempre me senti muito bem. De cliente a amiga, a idéia de expor surgiu numa tarde de café, compras e muitas risadas !

A série Livre foi realizada no Rio de Janeiro e fala de verão, liberdade, alegria, mobilidade. São cinco imagens, tamanho 60 x 60cm em papel de algodão.

O coquetel acontece entre 13h e 18h e espero todos lá !

Um beijo e um agradecimento especial pra Marina, Sérgio e Ana da Pau Brasil.

Casa Pau Brasil: Rua Fidalga, 403 – Vila Madalena – Tel: 2619-855

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