No dia 04 de dezembro do ano passado decidi ir para a Praia Grande, município do litoral sul de São Paulo, para fotografar a Festa de Yemanjá que acontece naquela cidade. Diferentemente da data que sempre me vem à cabeça quando se trata de Yemanjá, o famoso 02 de fevereiro da Bahia, na Praia Grande a Rainha do Mar é celebrada no início de dezembro.
Sem saber muito o que esperar da festa, encarei uma hora de estrada sem trânsito num dia de início de verão. Era um sábado e fazia muitos anos que não ia à Praia Grande. Só sabia que provavelmente haveria muita gente na praia porque o dia, apesar de nublado, estava bem quente. Não sabia em que parte da praia seria a festa, embora tenha feito uma pesquisa online sem muito sucesso. Por que como nome diz, a praia da Praia Grande é bem grande…Quando finalmente consegui chegar ao local da festa – que ficava distante do centro e mais para os lado da divisa com Mongaguá – me surprrendi com o que vi. Várias barracas enormes com o nome dos terreiros de candomblé, pessoas comendo, dormindo, um verdadeiro pique nique e nada de festa. Fui me informar e descobri que a festa acontece mesmo é na madrugada do dia 04 para dia 05. Desânimo. Sem chances de permanecer ali até a madrugada seguinte, não fui preparada para isto.
Enquanto decidia o que fazer, dei um rolê pela praia. Fui observando as pessoas. E me encantando. Para quem não sabe, Praia Grande é conhecida por atrair os famosos “farofeiros”, pessoas que vão passar somente o dia na praia, normalmente em grandes grupos que alugam um ônibus ou van para viajarem juntos. Pessoas com poder aquisitivo baixo e que levam toda sua comida para evitar gastos, o que no passado, normalmente incluia um frango com farofa, daí o nome. Gente simples que muitas vezes junta dinheiro durante um bom tempo para poder ter aquele único dia na praia. E elas aproveitam de verdade! O que me encantou foi esta maneira natural de aproveitar o dia. O que vi foram amigos, famílias, crianças, pessoas sendo felizes. Não estavam preocupados se a barriga balançava, se a celulite gritava ou se seria esquisito uma senhora de seus 50 e tantos anos jogar um futebolzinho à beira mar. Ou se é feio uma senhora usar biquíni da moda. Gente namorando, agarradinha, sem preocupação. Gente deitada na areia, sem nem pensar que isto é considerado brega nas outras praias ditas da moda ou se a areia incomoda. Todo mundo com suas câmeras e celulares registrando tudo também. Pessoas “nem aí” para o que os outros estão pensando delas. Observei isto por algumas horas, me diverti muito.
Enquanto fotografava bati papo com muita gente (adoro!!) e fui muito bem recebida. Ninguém olhou esquisito para a câmera, ninguém se incomodou comigo. Na verdade, fiquei surpresa em como as pessoas mal notavam a minha presença. Quando muito sorriam, perguntavam para onde eram as fotos, super normal. E não, não houve uma pessoa sequer que me fizesse sentir insegura por causa do meu equipamento.
O inusitado do dia veio por conta do convite para sair à noite feito por um dos meus fotografados. Achei engraçado e gentilmente disse não. Um fato que faz parte total do contexto. A filosofia na Praia Grande é aproveitar o aqui e agora, sem amarras. E por que não ?
