Realmente gosto de fazer retratos, me dá um prazer incrível quando fotografo alguém e vejo que consegui na imagem algo bom, uma expressão sincera. Gosto quando o fotografado se vê e, ao fazê-lo, vejo em seus olhos uma expressão de contentamento e que não é só vaidade. É orgulho bom, é ver-se e sentir-se bem. É perceber-se e sentir-se respeitado.
Quando fotografo pessoas na rua dificilmente peço uma autorização explícita, embora isto aconteça também. Há maneiras e maneiras de pedir autorização, mas jamais fotografo alguém que não deseja ser fotografado, acho invasivo e desrespeitoso. Normalmente me aproximo, observo, troco um olhar e na volta deste olhar consigo sentir se há um consentimento. Não me esqueço de um senhor que fotografei em São Luiz, no Maranhão. Eu estava fotografando perto dos barcos que vão em direção a Alcântara quando ele se aproximou. Apesar da sua aparência de velho pescador – talvez o tenha sido no passado – ele estava ali à procura de material reciclável. Sua aparência me chamou a atenção imediatamente. Olhei e esperei que ele me visse. Quando o fez, sentiu minha intenção. Não trocamos uma palavra sequer, mas imediatamente ele se posicionou, muito à vontade e digno. Fiz três cliques, ele pouco se mexeu, foi de um sorriso tímido a uma expressão mais séria. Terminei, sorri em agradecimento, ele entendeu e voltou aos seus afazeres, tinha pressa, tomou seu rumo. Nenhuma palavra foi dita.
Outra vez, em São Paulo, fui fotografar perto dos Campos Elíseos, região do centro velho, próximo a Rua Barão de Limeira. Era um sábado de manhã e acabei topando com um grupo de catadores de material reciclável (novamente ). Eram bem umas 15 pessoas e a rua estava entulhada de coisas e carrinhos, uma bagunça, um cheiro não muito bom. Me aproximei, deixando bem claro meu objetivo, máquina em punho. Os dois homens da foto abaixo sorriram, muito amigáveis, puxaram conversa, fui ficando, papo vai, papo vem, fiz algumas fotos, inclusive esta que considero uma das minhas melhores:
Dona Dinorah – estava em Santa Teresa, no Rio, e havia acabado de sair de um restaurante com alguns amigos quando vi esta senhora, toda enrugadinha, sorridente, em frente ao muro rosa. Me aproximei e ela naturalemente sorriu. Ela é sorridente. Perguntei se podia fotografá-la, ela disse sim. Resultou nesta foto. Adoro a expressão, seu olhar, sua pele, seu cabelo grisalho. Depois descobri que ela é uma figura famosa em Santa Teresa, moradora de muitos anos. Alguns meses depois voltei ao bairro com as fotos dela para entregar. Tive sorte. 
Fotografar crianças na rua não tem muito mistério. Normalmente as mais humildes pedem para ser fotografadas. Acho que elas se sentem vistas, notadas. Importantes, de uma certa forma. Algumas destas crianças devem se sentir tão negligenciadas que o simples fato de uma desconhecida lhes dedicar um minuto de atenção, fotografá-las e mostrar as fotos fazem com que se sintam realmente vivas. Sem contar o momento pelo momento, a alegria de fazer algo diferente e divertido. E daí vem cada imagem, cada criança linda, cada sorriso gostoso !
E outros retratos a gente simplesmente cruza com eles por aí:
Atualmente, me dedico a uma série de retratos um pouco mais elaborados. Tem sido uma experiência nova e totalmente diferente destes retaros acima, feitos casualmente. Em breve posto aqui os primeiros resultados deste novo trabalho. Eu realmente gosto de retratar pessoas.






















